Seminário: Transgeracionalidade – Maria Alice Freire

Este seminário foi mais vivencial do que conceitual e nos mostrou que a transgeracionalidade é uma questão a ser sentida e não a ser conceituada. O sentido da transgeracionalidade é  a busca do sentido do estar aqui. Que devemos fazer esse exercício constantemente e independentemente da idade que temos.

Maria Alice inicia falando do tempo e falamos muito. Todo o mistério está no tempo. As pessoas que vivem no presente com alguma dificuldade de fluir, possuem algo na sua ancestralidade que ficou trancado no tempo passado. A chave da felicidade está no tempo.

Segundo ela o que está nos livros não nos permite perceber qual a relação que nossos antepassados tiveram com os fatos da história. Somente através das conversas, das prosas com os idosos podemos absorver o que cada pessoa da família sentiu e pensou sobre a época em que viveu.  E, somente com esse conhecimento podemos refletir sobre como essa forma de ver e sentir o mundo nos influencia hoje. Enfatizou que o que se conta nos livros não nos traz o que nós temos a ver com a história dos livros.

Fizemos uma vivência em volta do fogo, que em muitas tradições, o fogo é a entidade superior no universo e que nós somos uma chama dentro da história do universo. E falamos do tempo… esse tempo não é o tempo cronológico, marcado por um relógio, é mais amplo, é o tempo da existência, tempo de vida, tempo que se acumula com o passar dos anos.

Contou-nos da sua experiência como avó dos seus netos e falamos das nossas experiências pessoais com relação ao tempo e refletimos sobre esse fenômeno: O tempo é o desenrolar de fatos através de longa data; o tempo interno, o tempo que pulsa dentro de nós. E que esse tempo interno está de acordo com a natureza; o tempo interno é o significado da nossa existência, é transgeracionalidade; não existe tempo, sempre estamos onde devemos estar. Então como dizia sua mãe: “Calma! Dê tempo ao tempo. Se o tempo não trouxer a solução, ele cura.”

E continuamos falando do tempo… quando nos libertamos da cadeia do tempo externo é que podemos entrar em contato verdadeiro com o tempo interno. E que dormir é usufruir do tempo interno. Essa é a forma ideal de viver a vida; viver como e onde se está, sem nos aprisionarmos ao tempo externo. Temos todas as idades dentro de nós.

E fizemos a vivência de andar (no sentido anti-horário) em volta da mandala seguindo as pegadas dos nossos ancestrais. Essa é uma forma de entrar em sintonia com a ancestralidade. O povo Guarani caminha horas e horas nos passos de seus ancestrais em volta das ocas com o objetivo de evocar a essência deles.

Fizemos mais um exercício de rever os temas dos seis seminários passados e buscar a correlação com a transgeracionalidade. A atividade foi realizada em grupos de 3 pessoas e depois compartilhada para toda a turma, os grupos conseguiram perceber vários momentos dos seminários passados nos quais nos deparamos com nossa ancestralidade e foi trabalhado de algum modo a transgeracionalidade, que perpassa todos os temas.

Ao buscarmos os antepassados, entramos em contato com nossa essência e descobrimos a razão ou missão que devemos cumprir aqui. Uma vez que tudo aquilo que for semeado brota e tem suas consequências.

A morte é apenas uma passagem e através dessa passagem apenas mudamos de consciência; porém, as consequências de nossa existência permanecem. Se nessa encarnação não estamos conectados com nossa essência, na próxima estaremos perdidos ou doentes ou com sofrimentos que não compreendemos.

Maria Alice nos chama atenção para o fato de que todos nós pertencemos a um grupo social, da rejeição que existe entre grupos, falamos de adoção e cuidado. Cuidar é independente do elo genético ou biológico.

Assistimos ao filme A voz das Avós e fizemos alguns comentários logo após.

Maria Alice compartilha que o ar puro da “consciência da própria identidade” e a mistura das raízes fez com que ela despertasse para a tarefa de defender as tradições e a água. Ela nos conta que não foi por acaso que em 2004 as treze Avós se encontraram, como também não é por acaso que estamos aqui reunidos – é fundamental integrar toda a consciência em uma experiência libertadora; ir para dentro de si mesmo, olhar para toda a bagagem vivida e trazida e selecionar o que é essencial. Essa é a “fórmula” para se estar onde se quer e deve estar.

Maria Alice nos fala um pouco dos povos indígenas, por exemplo os Axaninca, o povo mais preservado hoje, e os Guaranis, ambos não perderam sua espiritualidade e também das suas experiências em reuniões e seminários que participou na Europa e nas Américas.

Ela nos fala da força do perdão e que perdoar começa por si própria, fala do Ho’Oponopono que é a arte de perdoar. O perdão é algo pessoal, sem fórmulas mágicas e que reflete o processo de cada um. Segundo a sabedoria indígena tudo no universo se resume ao yin e yang e que tudo mais depende de como se interagem. 

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